A CEO africana de 950 a.C. que controlava a rota do ouro*
_Lide:_ Ela governava Etiópia e Iêmen, tinha a mina de ouro do mundo e o monopólio do incenso. Viajou 2.000 km pra testar o rei Salomão e voltou com o maior acordo comercial da Antiguidade. É a Rainha de Sabá.
Sabá ficava onde hoje é Etiópia e Iêmen. No século 10 a.C., controlava a “Rota do Incenso”, que levava ouro, mirra e olíbano pra Egito, Índia e Roma. A rainha, cujo nome real se perdeu, era a CEO. Em 950 a.C., ouviu falar de um rei sábio em Jerusalém: Salomão. Pegou caravana com ouro, especiarias e madeira rara e foi tirar prova.
*O maior deal da história*
A Bíblia, o Alcorão e o Kebra Nagast etíope contam. Ela fez 3 meses de perguntas. Salomão respondeu tudo. Ela deu a ele 4,5 toneladas de ouro. Ele deu a ela “tudo que desejou”. Voltou grávida. O filho, Menelik I, fundou a dinastia salomônica que governou a Etiópia até 1974. “Ela não foi visitar. Foi fazer M&A. Fundiu duas empresas”, compara a historiadora etíope Selamawit Mecca.
Sabá era potência. Tinha barragens, irrigação e marinha. O templo de Yeha, de 700 a.C., está de pé. A Etiópia é o único país africano que nunca foi colonizado. Resistiu à Itália em 1896 na Batalha de Adwa. “A gente herdou a liderança dela”, diz Selamawit.
*A CEO que virou mito*
Sabá virou lenda. É citada no feminismo. “Ela mostra que mulher africana manda no comércio há 3 mil anos. Antes de CEO, de presidente”, diz a escritora Djamila Ribeiro. A rainha provou que a África não começou na escravidão. Começou no comando. O incenso usado na igreja católica, o ouro que financiou a Europa, a rota que trouxe conhecimento. “A gente reza com cheiro de Sabá e nem sabe”, diz o padre etíope Gebre.




