Prédio de 9 andares sem cimento
A arquitetura de terra do Mali que é carbono zero*
Em Djenné, no Mali, a maior mesquita de barro do mundo tem 100 anos, 9 andares e zero cimento. A técnica de terra crua resiste à chuva, regula temperatura e é 40% mais barata. Arquitetos brasileiros já copiam.
A Grande Mesquita de Djenné parece um castelo de areia gigante. Mas está de pé desde 1907. É feita de “banco”, mistura de terra, palha, arroz e manteiga de karité. Todo ano, a cidade inteira se junta no “Crépissage”, festival para recapear as paredes. “O prédio é da comunidade, então a comunidade cuida”, explica o guia Amadou Traoré.
*A física do barro*
A parede de terra tem 60cm de espessura. No calor de 45°C do Sahel, dentro faz 24°C. Na chuva, a manteiga de karité impermeabiliza. E o carbono? Zero. Enquanto 1 tonelada de cimento emite 900kg de CO₂, a terra crua sequestra. “É o material de construção mais antigo e mais moderno do mundo”, diz o arquiteto burquinês Francis Kéré, vencedor do Pritzker 2022. Ele usa a técnica em escolas. Custa 40% menos e dura 100 anos.
*Do Sahel para o Brasil*
No Brasil, a “arquitetura de terra” virou curso no IAB. Em BH, a arquiteta Marília Guimarães fez residência no Mali e hoje constrói casas de luxo com taipa. “Cliente de 2 milhões quer barro. Porque é chique, térmico e tem história”, diz. Em SP, escolas usam a técnica. A parede respira, regula umidade e acaba com mofo. Custo de obra caiu 30%.
A ONU Habitat aponta que 1,6 bilhão de pessoas não têm moradia digna. “A resposta não está no concreto. Está no chão”, afirma Kéré. O Mali, um dos países mais pobres do mundo, ensina o mais rico a construir. A França já tem norma técnica pra terra crua. “A África tem resposta pra crise climática. A gente só precisa ouvir”, diz Marília.
Em Djenné, no Mali, a maior mesquita de barro do mundo tem 100 anos, 9 andares e zero cimento. A técnica de terra crua resiste à chuva, regula temperatura e é 40% mais barata. Arquitetos brasileiros já copiam.
A Grande Mesquita de Djenné parece um castelo de areia gigante. Mas está de pé desde 1907. É feita de “banco”, mistura de terra, palha, arroz e manteiga de karité. Todo ano, a cidade inteira se junta no “Crépissage”, festival para recapear as paredes. “O prédio é da comunidade, então a comunidade cuida”, explica o guia Amadou Traoré.
*A física do barro*
A parede de terra tem 60cm de espessura. No calor de 45°C do Sahel, dentro faz 24°C. Na chuva, a manteiga de karité impermeabiliza. E o carbono? Zero. Enquanto 1 tonelada de cimento emite 900kg de CO₂, a terra crua sequestra. “É o material de construção mais antigo e mais moderno do mundo”, diz o arquiteto burquinês Francis Kéré, vencedor do Pritzker 2022. Ele usa a técnica em escolas. Custa 40% menos e dura 100 anos.
*Do Sahel para o Brasil*
No Brasil, a “arquitetura de terra” virou curso no IAB. Em BH, a arquiteta Marília Guimarães fez residência no Mali e hoje constrói casas de luxo com taipa. “Cliente de 2 milhões quer barro. Porque é chique, térmico e tem história”, diz. Em SP, escolas usam a técnica. A parede respira, regula umidade e acaba com mofo. Custo de obra caiu 30%.
A ONU Habitat aponta que 1,6 bilhão de pessoas não têm moradia digna. “A resposta não está no concreto. Está no chão”, afirma Kéré. O Mali, um dos países mais pobres do mundo, ensina o mais rico a construir. A França já tem norma técnica pra terra crua. “A África tem resposta pra crise climática. A gente só precisa ouvir”, diz Marília.




