Esqueça Elon Musk. O homem mais rico que já existiu foi Mansa Musa, imperador do Mali no século 14. Sua fortuna de US$ 400 bilhões quebrou a economia do Egito e construiu Timbuktu.
Em 1324, Mansa Musa cruzou o Saara rumo a Meca. A caravana tinha 60 mil pessoas e 80 camelos carregados com 300 libras de ouro cada. Ao passar pelo Cairo, ele distribuiu tanto ouro que o metal desvalorizou 25% e a economia egípcia levou 12 anos para se recuperar. Historiadores calculam sua fortuna em US$ 400 bilhões atuais.
*O império do conhecimento*
Musa governou o Império do Mali de 1312 a 1337. Seu território produzia metade do ouro e do sal do mundo. Mas ele não gastou só com luxo. Ao voltar de Meca, trouxe arquitetos e sábios. Financiou a Universidade de Sankore em Timbuktu, que chegou a ter 25 mil alunos e 700 mil manuscritos. Enquanto a Europa vivia a Peste Negra, Timbuktu tinha biblioteca, observatório e curso de astronomia, medicina e matemática.
*A herança apagada*
Mansa Musa colocou Timbuktu nos mapas-múndi europeus como “terra do ouro”. Morreu em 1337, mas seu legado define o Mali até hoje. A maioria dos negros trazidos pro Brasil veio da África Ocidental, área de influência do Mali. “Nosso ouro, nossa matemática, nossa arquitetura vêm de lá. A gente só não aprendeu na escola”, diz o professor baiano Ubiratan Castro.
A nova BNCC já prevê ensinar sobre Mansa Musa no ensino fundamental. “A África não é pobre. Foi empobrecida. Tivemos o homem mais rico do mundo e ele investiu em educação”, critica Ubiratan. Os manuscritos de Timbuktu, salvos da Al-Qaeda em 2012, provam que a África tinha ciência enquanto a Europa tinha feudo.




