A indústria nigeriana que fatura US$ 1,2 bi por ano*
_Lide:_ A Nigéria lança 2.500 filmes por ano e 1.000 novelas. É Nollywood, a segunda maior indústria de cinema do mundo. Com orçamento de US$ 40 mil por filme, ela domina a África e já influencia a Globo.
“Lights, camera, action” em Lagos soa assim: “Oya, roll camera!” Em 2 semanas, com US$ 40 mil, um filme fica pronto. Grava-se na rua, na igreja, na casa do diretor. O resultado: 2.500 filmes por ano, contra 600 de Hollywood. Nollywood fatura US$ 1,2 bilhão e emprega 1 milhão de pessoas. “A gente conta história que o povo quer ver: família, traição, ascensão. Sem algoritmo gringo”, diz a diretora Kemi Adetiba.
*O método Nollywood*
O segredo é velocidade e volume. Um roteiro é escrito em 3 dias. Gravação leva 10. Edição, 4. O filme é lançado direto no YouTube, Netflix e em DVDs vendidos no mercado. Custo baixo, lucro rápido. “Hollywood gasta US$ 100 milhões pra falar com o mundo. A gente gasta US$ 40 mil pra falar com 200 milhões de nigerianos”, compara o produtor Kunle Afolayan.
A Netflix investiu US$ 50 milhões em Nollywood desde 2020. A série “Blood Sisters” foi top 10 em 30 países. “O mundo cansou de herói americano. Quer ver drama de Lagos”, diz a executiva da Netflix, Dorothy Ghettuba. No Brasil, a Globo já mandou autores para laboratório em Lagos. “Eles gravam em 2 semanas o que a gente leva 6 meses. E o público devora”, conta um roteirista.
*Exportando narrativa*
Nollywood exporta cultura. A moda, a gíria, a música dos filmes viram tendência em toda a África. O governo nigeriano trata cinema como commodity. Criou fundo de US$ 100 milhões e lei que obriga cinema a exibir 70% de filme nacional. “Cultura é PIB. E a nossa dá lucro”, diz o ministro da Informação, Lai Mohammed. Técnicos nigerianos já deram workshop de “filmagem de guerrilha” pra produtoras no Rio.




