Em 2003, a Libéria sangrava havia 14 anos. Leymah Gbowee reuniu cristãs e muçulmanas, vestiu todas de branco e decretou: sem paz, sem sexo. Depois, trancou 300 parlamentares numa sala. Em 2 semanas, a guerra acabou.
Charles Taylor era presidente. Senhores da guerra estupravam e recrutavam crianças. A ONU falhava. Leymah Gbowee, assistente social e mãe de 4, fundou o “Women of Liberia Mass Action for Peace”. Regra 1: só de branco. Regra 2: cristã e muçulmana juntas. Regra 3: sem homem.
Todo dia elas sentavam na beira da estrada que levava ao palácio. Cantavam, oravam. Quando a polícia vinha, elas tiravam a roupa. “Na África, ver a mãe nua é maldição. Eles recuavam”, conta Leymah. A pressão aumentou. Ela decretou a “greve de sexo”. “Se você quer guerra, dorme no mato.” A adesão foi de 90%.
*O sequestro da paz*
Em junho de 2003, as negociações de paz em Acra, Gana, travavam. Leymah pegou 200 mulheres e foi pra lá. Invadiram o hotel. Quando os 300 homens da delegação tentaram sair da sala, deram de cara com uma corrente humana. “Ninguém sai até assinar a paz”, disse Leymah. Trancou as portas. Em 2 semanas, Taylor renunciou. A guerra acabou.
Ellen Johnson Sirleaf, que apoiou o movimento, virou em 2005 a primeira presidente eleita da África. Leymah ganhou o Nobel da Paz em 2011. A tática foi copiada na Colômbia e no Sudão do Sul. “Mulher africana não espera salvador. Ela é o salvador”, diz.
*A lição pro mundo*
A Libéria hoje tem paz. As ‘Mulheres de Preto’ viraram ONG e símbolo. O documentário “Pray the Devil Back to Hell” é usado pela ONU para treinar mediadora. “A gente ensina que paz não é papel assinado. É mulher na rua, ocupando espaço”, diz Leymah. Coletivos de mãe de favela no Brasil já usaram a tática para parar operação policial. A África exporta método de pacificação. Sem arma, só com corpo e recusa.




