Para afrodescendente que quiser voltar para casa
Desde 2019, Gana oferece cidadania, lote e imposto zero por 5 anos pra afrodescendente da diáspora. Mais de 10 mil américa
Nos e brasileiros já aplicaram. O lema: “Volte pra casa. A gente reconstrói junto”.
O programa “Year of Return” virou “Beyond the Return”. Gana dá passaporte, 2 hectares de terra e assistência técnica por 3 anos pra quem investir. Daniel Kwame, neto de ganês nascido em Salvador, ganhou lote em Kumasi pra plantar cacau. “Meu avô saiu à força no porão. Eu volto de avião, com escritura. É reparação”, diz.
*Reparação produtiva*
O turismo cresceu 45%. Empresários negros dos EUA abriram hotel, estúdio de cinema e fazenda. O cantor Stevie Wonder pegou cidadania. O governo quer 1 milhão de retornados até 2030. “Não é favor. É reencontro estratégico. A diáspora tem US$ 50 bilhões pra investir. A gente tem terra e mão de obra. O match é perfeito”, afirma o presidente Nana Akufo-Addo.
O foco é agricultura e tecnologia. Gana dá semente, muda e trator. Só pede que produza. Daniel já plantou 800 mudas de cacau. A primeira colheita sai em 2028. Vai exportar pra Brasil e fazer chocolate “da diáspora pra diáspora”. “O cacau sai de Gana, vira chocolate na Bahia, com pimenta daqui. É a rota do Atlântico no paladar”, explica.
*O que o Brasil perde*
O Brasil tem a maior diáspora africana do mundo. 56% da população é negra. Se 1% resolver voltar, é 2 milhões de pessoas. E capital junto. “A gente precisa criar nosso ‘Year of Return’. Senão, vamos exportar cérebro e dinheiro”, alerta a historiadora Wlamyra Albuquerque. Nigéria, Senegal e Ruanda copiam o modelo de Gana. A disputa por afrodescendente qualificado começou.




