A universidade brasileira que forma a nova elite da África
Em Redenção, no Ceará, a UNILAB tem 5 mil alunos de 20 países africanos. É o maior polo de formação de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde fora da África.
Criada em 2010, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira forma médicos, engenheiros e professores que voltam para liderar seus países. "Aqui a gente estuda em português, mas pensa como atlântico", diz Amílcar Tavares, de Cabo Verde, aluno de Agronomia.
*Diploma de volta*
80% dos formados voltam. O ex-ministro da Educação de Guiné-Bissau é ex-aluno. O Brasil investe R$ 120 milhões por ano na UNILAB via PEC-G. "É soft power. A gente forma quem vai decidir o futuro da África", afirma a reitora.
Toda sexta, alunos fazem feira gastronômica pra pagar custos. Vendem cachupa, calulu e mufete. "A comida segura a gente aqui. Mata saudade e constrói futuro", explica Fatu Camará, que faz Química e vende suco de baobá. A meta é abrir restaurante fixo em Redenção até 2027.
*A troca que ninguém vê*
A UNILAB inverteu a rota. Em vez de cérebro africano fugir pra Europa, ele vem pro Brasil e volta qualificado. Médicos formados aqui tratam malária com protocolo que funciona. Engenheiros levam técnica de construção adaptada ao clima. "A gente não dá peixe. Ensina a pescar e devolve o pescador pra casa", diz um coordenador.
O Itamaraty estuda ampliar vagas. "É o melhor investimento diplomático que o Brasil fez no século 21", diz um embaixador. A África não quer doação. Quer diploma. E o Brasil, em Redenção, está dando.




