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quarta-feira, junho 3, 2026

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Africanos no Brasil — recomeçar longe de casa

O Brasil virou destino para milhares de africanos que chegam fugindo de guerra, perseguição política ou crise econômica. Angola, Congo, Senegal, Nigéria e Guiné-Bissau estão entre os países com mais imigrantes e refugiados aqui.

Chegar é difícil, mas a lei brasileira ajuda. A Lei do Refúgio de 1997 é considerada uma das mais avançadas do mundo. Quem pede proteção pode tirar CPF e carteira de trabalho no mesmo dia e já tem acesso ao SUS, o sistema público de saúde. É atendimento gratuito pra adulto e criança, com ou sem documento.

Para as crianças, a escola pública é direito garantido. A matrícula é imediata, mesmo que a família não tenha o histórico escolar traduzido. A barreira aparece depois, na sala de aula. Aprender português, lidar com piadas xenofóbicas e se adaptar a uma cultura nova são os maiores desafios. Muitas crianças também chegam separadas dos pais ou sentem o peso da saudade.

Na prática, viver no Brasil mistura acolhimento e obstáculo. De um lado, existem redes de apoio fortes, ONGs que ensinam o idioma, comunidades africanas organizadas em São Paulo, Rio e Rio Grande do Sul, e liberdade para manter a religião e os costumes. De outro, o racismo estrutural pesa. Validar diploma demora, o que empurra médicos, engenheiros e professores africanos para empregos precários. O subemprego é uma reclamação constante.

Programas sociais como o Bolsa Família podem ser acessados por famílias em vulnerabilidade, mas a integração real só acontece quando há trabalho digno e respeito. O Brasil oferece a base legal para recomeçar, com saúde e educação na largada. O passo seguinte é garantir que esse recomeço seja com dignidade e sem preconceito.

A TV África Bisô é  solidária aos africanos refugiados aqui no Brasil, e iremos  abraçá-los até o fim.
Por Cris Lima

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