resistência que virou presente
Os quilombos nasceram como forma de resistir à escravidão.
Entre os séculos XVI e XIX, africanos escravizados fugiam dos cativeiros e
formavam comunidades livres em matas, montanhas e sertões. O nome vem do
quimbundo “kilombo”, que significa acampamento de guerra ou sociedade criada
para resistir. O mais conhecido foi o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, que
abrigou milhares de pessoas e segurou ataques por quase cem anos até ser
destruído em 1694.
Muita gente acha que quilombo é coisa do passado, mas não é.
Hoje o Brasil tem mais de três mil comunidades quilombolas certificadas pela
Fundação Cultural Palmares, espalhadas por todas as regiões. O Censo de 2022
mostrou que 1,3 milhão de brasileiros se declaram quilombolas. Foi a primeira
vez que o IBGE contou essa população oficialmente.
Essas comunidades estão em área rural, na Amazônia, no
Cerrado, no semiárido, no litoral e até dentro de cidades. Cada uma desenvolveu
um jeito próprio de viver, com agricultura, pesca, festas, religião e saberes
herdados dos ancestrais. Elas mantêm viva a cultura africana, baseada na
cooperação e na identidade coletiva.
Nem todo quilombo resistiu. Muitos foram destruídos ainda no
período colonial, atacados por tropas ou pressionados por fazendeiros. Outros
se desfizeram quando as famílias foram expulsas das terras e migraram. A
diferença é que “quilombo desativado” virou história. Já “comunidade
remanescente” é a que continua existindo e tem direito reconhecido.
A Constituição de 1988 garante às comunidades remanescentes
o direito às terras que ocupam tradicionalmente. O Artigo 68 do ADCT obriga o
Estado a dar a titulação definitiva. Mesmo assim, a luta continua. O maior
desafio hoje é acelerar a regularização das terras e garantir acesso à saúde,
educação e políticas que preservem a cultura. O número de comunidades
certificadas ainda cresce porque muitas aguardam reconhecimento formal.
No fim, quilombo deixou de ser só refúgio. Virou território
de memória, de direito e de futuro.
África Bisô está atenta a todos os quilombolas que residem
nos quilombos do Brasil, e eles podem estar sempre contando com a África Bisô
para contar suas histórias, suas aventuras e nos passar grandes imagens.
Estamos aqui com vocês e por vocês




