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quarta-feira, junho 3, 2026

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Quilombos no Brasil

resistência que virou presente

Os quilombos nasceram como forma de resistir à escravidão. Entre os séculos XVI e XIX, africanos escravizados fugiam dos cativeiros e formavam comunidades livres em matas, montanhas e sertões. O nome vem do quimbundo “kilombo”, que significa acampamento de guerra ou sociedade criada para resistir. O mais conhecido foi o Quilombo dos Palmares, em Alagoas, que abrigou milhares de pessoas e segurou ataques por quase cem anos até ser destruído em 1694.

Muita gente acha que quilombo é coisa do passado, mas não é. Hoje o Brasil tem mais de três mil comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares, espalhadas por todas as regiões. O Censo de 2022 mostrou que 1,3 milhão de brasileiros se declaram quilombolas. Foi a primeira vez que o IBGE contou essa população oficialmente.

Essas comunidades estão em área rural, na Amazônia, no Cerrado, no semiárido, no litoral e até dentro de cidades. Cada uma desenvolveu um jeito próprio de viver, com agricultura, pesca, festas, religião e saberes herdados dos ancestrais. Elas mantêm viva a cultura africana, baseada na cooperação e na identidade coletiva.

Nem todo quilombo resistiu. Muitos foram destruídos ainda no período colonial, atacados por tropas ou pressionados por fazendeiros. Outros se desfizeram quando as famílias foram expulsas das terras e migraram. A diferença é que “quilombo desativado” virou história. Já “comunidade remanescente” é a que continua existindo e tem direito reconhecido.

A Constituição de 1988 garante às comunidades remanescentes o direito às terras que ocupam tradicionalmente. O Artigo 68 do ADCT obriga o Estado a dar a titulação definitiva. Mesmo assim, a luta continua. O maior desafio hoje é acelerar a regularização das terras e garantir acesso à saúde, educação e políticas que preservem a cultura. O número de comunidades certificadas ainda cresce porque muitas aguardam reconhecimento formal.

No fim, quilombo deixou de ser só refúgio. Virou território de memória, de direito e de futuro.

África Bisô está atenta a todos os quilombolas que residem nos quilombos do Brasil, e eles podem estar sempre contando com a África Bisô para contar suas histórias, suas aventuras e nos passar grandes imagens. Estamos aqui com vocês e por vocês

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