O Brasil virou destino para milhares de africanos que chegam
fugindo de guerra, perseguição política ou crise econômica. Angola, Congo,
Senegal, Nigéria e Guiné-Bissau estão entre os países com mais imigrantes e
refugiados aqui.
Chegar é difícil, mas a lei brasileira ajuda. A Lei do
Refúgio de 1997 é considerada uma das mais avançadas do mundo. Quem pede
proteção pode tirar CPF e carteira de trabalho no mesmo dia e já tem acesso ao
SUS, o sistema público de saúde. É atendimento gratuito pra adulto e criança,
com ou sem documento.
Para as crianças, a escola pública é direito garantido. A
matrícula é imediata, mesmo que a família não tenha o histórico escolar
traduzido. A barreira aparece depois, na sala de aula. Aprender português,
lidar com piadas xenofóbicas e se adaptar a uma cultura nova são os maiores
desafios. Muitas crianças também chegam separadas dos pais ou sentem o peso da
saudade.
Na prática, viver no Brasil mistura acolhimento e obstáculo.
De um lado, existem redes de apoio fortes, ONGs que ensinam o idioma,
comunidades africanas organizadas em São Paulo, Rio e Rio Grande do Sul, e
liberdade para manter a religião e os costumes. De outro, o racismo estrutural
pesa. Validar diploma demora, o que empurra médicos, engenheiros e professores
africanos para empregos precários. O subemprego é uma reclamação constante.
Programas sociais como o Bolsa Família podem ser acessados
por famílias em vulnerabilidade, mas a integração real só acontece quando há
trabalho digno e respeito. O Brasil oferece a base legal para recomeçar, com
saúde e educação na largada. O passo seguinte é garantir que esse recomeço seja
com dignidade e sem preconceito.
A TV África Bisô é
solidária aos africanos refugiados aqui no Brasil, e iremos abraçá-los até o fim.
Por Cris Lima




